Epitáfio

O fim do que não tem fim: Mistérios... O paradoxo nos
acompanha!

Vôo para outro ciclo, permeado por outros compassos,
por estes mistérios... mas outro.

Qual seja?

Não sei...

P.S. - Agradeço as visitas, as palavras, o carinho,
levo tudo num baú com a plaquetinha: saudade.

Geminiana

Expectativas são broxantes. Isso mesmo. A despeito de
o Aurélio classificar como chulo, tal substantivo, não
há outra palavra mais apropriada para o que me
assalta... Uma das minhas loucuras mais efetiva.

Imaginar que alguém imagina que isso ou aquilo de mim,
de escalar o Everest a caçapar a bola sete do sinuca,
me arremessa numa espécie de paralisia ou coma
progressivo, donde só me elevo quando percebo que não
mais existe sombra de tensão-expectativo-pandórica
sobre a minha tão humanamente limitada figura.

Origem de tal patologia? Estudos preliminares indicam
que a minha lua em libra pode ser um dos fatores
geradores de tal infortúnio, bem como a minha
geminianidade holística. No entanto ainda careço de
alguns componentes de credulidade para enveredar num
possível caminho de cura, oriundo destes princípios.

Eu gostaria de satisfazer todo mundo. E ninguém venha
com aquele papo de que antes sou eu, pois essa é uma
característica tão marcante em mim, que eu posso dizer
que ao satisfazer, estou sendo satisfeita também.

Mas sou uma, e a regência, quando exigida de mim, não
consegue harmonizar tantos interesses, tantas
vontades, por vezes caprichos, carências, egos e
desejos travestidos em expectativas. Meus, seus,
nossos. Diagnóstico? Paralisia broxática induzindo ao
coma existencial. Causa? Incompatibilidade com a vida.

– Seu Joselino Barbacena ?! – Mas meu jesuzinho
cristinho já me acharo aqui de novo! Larga do meu pé,
chulé.

Se eu pudesse abdicaria de tudo o que há em mim que
pode vir a ferir, a machucar, pois além de me fazer
ser inócuo frente aos outros, me faria ser inócuo para
mim também. Mas nada disso é possível, pois isso é a
vida, que diferente de mim, não ouve, não se afeta,
nem se rende ou se compraz com as expectativas dos seus
caminhantes.

 

Distração

(Christiaan Oyens e Zélia Duncan)

Se você não se distrai, o amor não chega
A sua música não toca
O acaso vira espera e sufoca
A alegria vira ansiedade
E quebra o encanto doce
De te surpreender de verdade
Se você não se distrai, a estrela não cai
O elevador não chega
E as horas não passam
O dia não nasce, a lua não cresce
A paixão vira peste
O abraço, armadilha

Hoje eu vou brincar de ser criança
E nessa dança, quero encontrar você
Distraído, querido
Perdido em muitos sorrisos
Sem nenhuma razão de ser
Olhando o céu, chutando lata
E assoviando Beatles na praça
Hoje eu quero encontrar você

Se você não se distrai,
Não descobre uma nova trilha
Não dá um passeio
Não rí de você mesmo
A vida fica mais dura
O tempo passa doendo
E qualquer trovão mete medo
Se você está sempre temendo
A fúria da tempestade

O conto se chama "Dois":

"Um cavalheiro de média cultura e hábitos decorosos
encontrou, após uma ausência de meses, devida a
eventos horrivelmente belicosos, a mulher que amava.
Não a beijou; mas, apartando-se em silêncio, vomitou
demoradamente. À mulher estupefata negou qualquer
explicação sobre aquele vômito; nem a deu a ninguém; e
somente com paciência ele chegou a compreender que
aquele vômito expulsava de seu corpo todas as inúmeras
imagens que da mulher amada nele havia se depositado
intoxicando amorosamente seu corpo. Naquele instante
porém, ele compreendeu como já não lhe seria mais
possível tratar aquela mulher como se entre eles
houvesse se passado somente amor, um amor macio,
ansioso apenas por superar cada obstáculo e por tocar
para sempre a epiderme do outro; ele havia
experimentado a toxidade do amor, e tinha compreendido
que a toxidade da distância nada mais era que
alternativa à toxidade do íntimo, e que havia vomitado
o passado para dar lugar ao vômito do futuro. Embora
lhe fosse impossível explicá-lo a quem quer que fosse,
ele sabia que justamente o vômito, e não os suspiros,
era o sintoma de um amor necessário como a morte é o
único sintoma certo da vida."

http://www2.uol.com.br/percurso/main/pcs25/cintilacoesmultiplas.htm

Da(L)i

Sou destes seres que sempre causam estranhamento nos
transeuntes que comigo cruzam, nesta passagem pelo
orbe terrestre...

Por vezes penso que seria mais simples ter seguido a
trilha das outras ovelhinhas, mas parece que sou
acometida de uma síndrome da
maria-não-vai-com-as-outras, um caso extremo de
rebeldia não exposta nos andrajos...

Recentemente tenho observado com mais apuro e
profundidade as coisas em mim, e algo que posso dizer
sem medo de errar, é que tenho um quê de
"dissecativo"... Não pelo que tem de morte, mas pelo
que tem de revelador...

Penetro nas vísceras dos meus pensamentos, sonhos e
sensações, numa necessidade de não apenas vivê-los,
mas compreendê-los. Assim se processam verdadeiras epifanias!

Uma das coisas que mais me instigam é a descoberta
das coisas elementares, das lógicas intrínsecas, dos
movimentos loucos e descaminhos da nossa mente...

Com as lições da física, por exemplo, descobri que  as
coisas se tornam inteligíveis a partir de um ponto de
referência... Fantástico!!... Eureca!

É por isso que quando leio Paulo Coelho penso que sou
Bernardo Soares, e quando leio Bernardo Soares penso
que sou Paulo Coelho... Por isso que quando
vejo o Erik Marmo penso que sou a Fernando Montenegro,
e quando veja a Fernanda Montenegro, penso que sou o
Erik Marmo. (sic)

A cada dia que passa o mergulho se reveste de mais
beleza e contentamento independente do que se
encontra pelo caminho, é o sentimento da conquista
que liberta, por trazer um pouco de conhecimento do
substrato da minha matéria.

 

(nenhum)

Sensações estranhas
Calor em alaridos loucos
Reverberações no silêncio

Pelos buracos... penetrações
Imagens, cheiros, lembranças
Espirais ensandecidas

Vontade do estar e do não
Medo, pavor, temor
Olhos covardemente fechados

Tudo dói e arde
Violentamente tento
Expulsar e permanecer

Ignoro o que devo
Fuga deslavada
Mágoa encardida

É tarde, madruga
Desde menina, medo de luzerna
Apago tudo.

hunf!

Ando criando des-expectativas
Contra a murphiana lógica da vida
Não penso, não quero, não sonho
E se faço, é de noite, ninguém sabe.
Travesseiros não tem língua!

Incertas...

Não sei se me dói mais, de forma pequena,
A sua solidão ou a possibilidade da ausência dela
Paradoxo da dor que dói de forma aguda
Por me encontrar assim tão longe
Das duas dimensões do ser que sente...

Assumi o que me é próprio nesse instante
Eu, já em larga medida discrente,
Deixando a máscara descansar,
Enquanto olho no espelho as rugas...
Marcas que me lembram você,
Enquanto também as lágrimas rolam.

Tropeçando numa lâmpada fantástica
Me livraria do todas elas, as marcas
Te  salvaria de me machucar daquele jeito
Salvaria nosso amor das pequenezas humanas
Te salvaria de mim, ao me fazer forte e grande.
Não sofreria tanto pelos toques na carne,
Entenderia que a tua alma não deixou de ser minha,
Nem mesmo quando ela não sabia o caminho...
Que você era só uma criança tateando a existência.

Mas parece que as coisas, que nem se definem,
De tão misteriosamente herméticas que são,
Encontram o gozo no sadismo de não serem assim...
Assim como se quer, como se precisa, assim como se deseja...
Apenas passam na contramão e, às vezes, param no caminho,
Enchem-nos de encanto, vendem-nos sonhos...
Partem.
Se partem.
Nos partem.
E nunca mais paramos de olhar pra trás...
Mesmo sabendo que o caminho está à nossa frente.


No tempo d´eu criança II

Antidança

De dança...
Sei conjugar o verbo
Professora entra na sala
Se mexam, abram o caderno
A aula é sobre dançar
Presente, passado, futuro
Bora, vamos conjugar
Eu danço, tu danças, ele dança
Nós vamos dançar
Dancei, dançastes, dançou
Nós todos dançamos
Sentados na cadeira
Curvados no caderno
Punho fechado na caneta
No verbo que não é ação

No tempo d´eu criança...

Quando os aviões passavam indiferentes
Tão alto, mas tão alto que doía a vista
Eu lá embaixo, tão pequenina...
Enquanto me questionava se eles,
Eles, os que andavam de avião, me viam
E se viam a minha cidade pequenina
Desejava secretamente,
Com a inocência inconsequente de uma criança
Que o avião caisse na roça de vovó

Mas não era queda de morte não
Era só pra saber se eles sabiam
Ou pra fazer saber, se eles não sabiam
Que ali era o lugar que eu morava
E morava um monte de gente
Com um monte de história
E um monte de boniteza
Mas que não andava de avião.

 

 Cecília...

 

"No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro:
no canteiro, urna violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de urna borboleta."

(Cecília Meireles)

 

Inquietações

A existência sempre me fez, e muito provavelmente
continuará fazendo, habitar nos recônditos do
inquietante...

Para determinadas mentes, as que se abriram para o que
convencionamos chamar de conhecimento, viver é um
êxtase insano de buscas e necessidades
insatisfeitas...

Ando com vontades largas e profundas... Uma espécie de
expansividade para o além das coisas criadas e
outorgadas pelo humano, mesmo me servindo dele e de
mim, que também sou humana, para tentar transcender...

Vontade de fotografar nuvens, de viajar sem destino
perseguindo horizontes, de saltar no espaço como
criança danada, que tenta des-cobrir o segredo
guardado debaixo das saias...

Cada vez menos me sinto pertencente a esse mundo das
coisas vazias e invariavelmente medíocres. Na TV os
mesmos problemas, as mesmas piadas, a mesma beleza
branca e européia, a mesma fome de comida e a mesma
falta de apetite por mudanças...

A evolução é a evolução das formas e da superfície,
mas não encontro mais sofrimento nestas constatações,
apenas sinto que vão desaparecendo as amarras
ilusórias que me prendiam a tudo isso... e me nascem
asas...

Vôo!...

À Vida

 A sensação é a de que há algo errado. Não se pode se
enganar assim. As coisas eram tão claras, pareciam tão
simples, mesmo dentro da sua complexidade. Era só
fazer isso, pegar assim, seguir por ali... segurar a
tua mão.

Hoje a distância, o estranhamento de tudo. A
constatação de que se investe, o que quer seja, no
vazio e no escuro das coisas. Não há garantias.
Mergulhe, diz a vida, mas não garante a água no fundo
do poço do desconhecimento e do desejo...

Tetraplégicos dos sonhos, paraplégicos das idéias,
amputados da inocência... assim ficamos.

Às vezes a existência me pesa tanto que amesquinho-me
a fazer uma esdrúxula relação custo/benefício ...
percebo sempre que a tendência é sairmos perdendo...

Não há tristeza nessas palavras à vida, é apenas a
vida "que é bonita e é bonita", como cantava o poeta
que já não mais pertence à esta... vida!... Bela e
irônica vida...

* O pulso ainda pulsa e tambl

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BRASIL, Nordeste, passa a maior parte do tempo na Lua, veraneia para além dos quasares, Mulher, feita do tecido d q são feitos os sonhos, extasiada com a vida.

 
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