
Ridícula, como todas as cartas...
Boa noite cinderela e o silêncio!... Faltava o ósculo
no cacto, cacto sertanejo protegido pelos espinhos de
uma existência marcada por determinadas ausências, que
só o relicário toque soube driblar e fazer surgir o tal
segundo sol, realinhando uma noutra... vida!
Tudo começou com o improvável revestindo de magia
aquilo que não poderia ter sido e que foi. Um clique,
um toque, encontro de almas e peles, encantamento de
espíritos...
Pela primeira vez, em todos os sentidos, despida por
um sentimento completo e arrebatador, insólito... Que
me fez outra ao me permitir ser eu mesma.
Eu era feliz e sabia!... A cada beijo, a cada carinho,
a cada olhar, a cada antecipação da sua presença, da
sua voz, da sua respiração, da sua existência na
minha.
Hoje já não somos, nem mesmo sei por onde andas e o
que fazes, pensas, sentes... Mas sei que estou aqui,
que está aqui todo o sentimento, toda a certeza de que
você foi e é o grande amor da minha vida.
Não faço idéia do que me espera na próxima esquina, sequer posso
imaginar, como também não poderia imaginar que seria
assim o delta do nosso sentimento... um desembocar
num desconhecido oceano de pessoas e coisas a nos
afastar para geografias opostas.
Exatamente por isso que o caminho me é tranquilo, por
tudo aquilo que me escapa, nada resta a não ser nadar
por entre correntezas despóticas na tentativa de não
se machucar tanto nas pedras, nem se entregar aos
encantos das sereias, que existem única e
exclusivamente para encantar e não para cuidar,
prerrogativa que é do amor.
Sigo o fluxo. Nada-se. Ainda desidratada, as
substâncias amargas advindas do metabolismo
sentimental convalescente, não me permitem gostar de
outras bocas e toques...
Não resta muito a fazer, a não ser um último pedido..
talvez apelativo como os sos dos naufrágos
(e não deixo de ser um), mas tão verdadeiro e visceral quanto
estes, diante da cruel indiferença dos seus
destinos selados, conseguem fazer ...
"Me esqueça sim mas nunca esqueça o meu amor"