
SEM PALAVRAS
... e sabia que a vida era tosca, e que provavelmente
se machucaria novamente. Que novamente rogaria não ter
nascido e blasfemaria contra o amor, única entidade
digna de respeito e adoração. Mas agora era diferente.
A vida, entendida como repleta de sobressaltos e
mistérios, já não a deixava tão vulnerável assim. As
pessoas, compreendidas como uma corporificação de
contrários, já não recebiam tantas expectativas. O
mundo, como sendo o palco da vida e das pessoas( visto
então, como o espaço do Caos reinante) se distanciava cada
vez mais do tácito ideal de perfeição que habita,
renitente, nos recônditos de tod' alma.
... E assim a existência foi se tornando suportável,
até mesmo com uma boa dose de tranquilidade, para
depois de traduzir em êxtase, frente a tudo isso que
nos escapa e envolve... A vida assim, sem palavras!
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