
" A Decadência é a perda total da
inconsciência; PORQUE A INCONSCIÊNCIA É O FUNDAMENTO
DA VIDA. O coração, se pudesse pensar, pararia."
(Livro do Desassossego, p. 45)
MiStèRiOs dO SeM FiM
(ou... Um pouco de mim.)
pequeno parêntese
(Logo cedo perdi a inconsciência e me tornei um ser
incapaz de pertencer ao cômodo exército da maioria.)
Pertencer a orla das coisas é uma experiência
inefável, e extremamente difícil. Sendo eu uma geminiana, a inconsciência perdida me leva a pertencer a diversos mundos... diversos "fachos de loucura" na noite escura da minha existência terrena.
Pois que não bastava ser apenas uma perda da inconsciência
política, que me permitisse entender e lutar pelo bem
comum?! Ou a perda da insconsciência filosófica, que
me levasse a elucubrações e devaneios em busca das
respostas fundamentais?!...
Pois em mim é tudo. Entender a existência. Transformar
a realidade. Viver e compreender o amor...
Me pego em processos de interações sócio-políticas a me perguntar
se tudo vale a pena, pois nem mesmo sabemos quem
somos, o que somos, de onde viemos e para onde vamos.
Sou, caricaturalmente, àquela personagem do
livro "O queijo e os Vermes"... que depois de inúmeras
leituras disparatadas desenvolve a sua própria
cosmogonia.
(Tadinhos dos meus pares na terra, sobretudo
aqueles que dizem ser, meus alunos...)
Num desses momentos de exercício da minha não
inconsciência filosófica, procuro entender a razão
pela qual isso tinha que acontecer comigo(eu-o
paradoxo estendido na areia). Vivi "entre àrvores e
esquecimento" até os meus oito anos... depois disso,
até os vinte, as minhas interações espaciais e
pessoais não tinham características que me levassem a
ser assim.
Contrariando a lógica aqui estou a contrariar a lógica.
Desisto de entender( e para quê entender, mesmo?!)...
A vida é extasiante exatamente por ser mistério. A
despeito das doses cavalares de energia que me são
roubadas em descargas, por todas essas buscas
(mistérios do sem fim), é muito bom estar aqui e ser
assim. Não gostaria, como diz o poeta pessoa, "de ser
feliz sem saber que sou infeliz"(inconsciência).
Prefiro essa felicidade estranha, clandestina e desmedida, de ser eu, e
pagar todos os preços por isso... nesse meu itinerário
de anti-pasárgada.
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