Estranhamentos...
Pensamos ter tantos motivos para achar a vida amarga e
injusta para conosco, enquanto parece nos escapar que essa
vida é feita, exatamente, por cada um destes que
supõem ser a vida, injusta e amarga.
Somos nós que fazemos tudo o que existe. Logo somos os
culpados e também os heróis dos inúmeros fenômenos
tragicômicos que nos cerceiam e libertam, nos
proporcionam prazer e dor, lágrimas e sorrisos.
É triste perceber o quanto somos aquém do que
poderíamos ser de éticos e estéticos, verdadeiramente humanos... Porém, é
deveras belo, certamente instigante, ter a clara e triste percepção destas
lacunas, falhas e "defeitos", e sofrer com eles, e
tentar ir além, a partir deles...
Olhando os carros à minha frente, as luzes, as
pessoas, os prédios, não sabia ao certo dizer por que
ali estavam: o sentido de tudo(?!)... Sentia, no entanto, que era por alguma
coisa infinitamente maior, que me escapa intelectual e
sensorialmente, mas que me explica, e que, a despeito
da minha leve angustia niilista, me conforta.
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