"La imaginacion és la loca de la casa"

Desordenados desejos, epifenomenalismos ou mistério?
Limitações de sentidos. Sede guia. Busca desesperada
pela substância que flui, preenche e sacia. A
ignorância por legado da humanidade vulgar, a qual se
pertence. Intensidades cegas, multidimensionais, que
perpassam cada instante e cada poro. Matéria escura
que compõe o universo, mas não se revela à pobreza das
nossas vidas insignificantes.

“Fossemos infinitos muito mudaria, como somos finitos,
muito permanece”. Enigmas para uma existência apenas.
Posso levar trabalho pra casa? Mas onde estamos?
Perdidos no playground ou no terreno baldio do
universo? Não dá pra responder a todos os quesitos da
prova desta matéria chamada existir, é pouco tempo
para conhecimentos parcos e questões tão vastas.

Não, eu não queria te ferir, nem mesmo esmagar
indiferente as vidas invisíveis que perambulam fora do
alcance das minhas vistas. Mas eu fiz. Também apanhei
com isso e com muitas outras coisas pontiagudas, para
garganta tão pequena.

Fluxo de consciência? Nem sei o que é isso que esses
loucos inventaram. Eu nasci na roça, e lá eu tinha uma
fazenda com casas feitas de barro, com a forma dos
meus pés, e bois de frascos de remédios vazios. Quanta
riqueza!

Mas existem marcas. Palavras que ressoam nos
interstícios dos memes pirados que habitam o
aglomerado genético que quer sobreviver ao tempo. “A
vida é assim”!... Eis a frase que salta da minha
infância e me acompanhou/acompanha renitentemente,
como um auspício.

E a vida pra mim é a imagem d´eu criança sentada, como
quem espera uma via crucis. Um momento feliz? Prelúdio
da dor. Porque a felicidade é um intervalo. “A vida é
assim”!... Pseudofatalismo, apenas. Consciência
cortante para a aurora de uma existência. Ninguém
refutou! Porém assumir a ontológica tristeza da vida
eu não fiz, por capricho, por birra, pirraça de
criança frustrada.

Eu não queria te ferir. Mas somos desastrados, quando
o brinquedo é a existência. Desmontamos, montamos,
batemos contra a parede, levamos à boca, mordemos,
enjoamos, tentamos jogar fora, mas ele/ela é inerente
a nós, não há como se livrar.

O direito de escolha me fere, a ausência deste me
anula. Eu só queria que fosse mais fácil, mas
provavelmente não seria tão interessante. Colossal
sacanagem se não soubermos o desfecho desta novela
transtemporal, da qual fazemos parte. Do pó ao pó
somente como metáfora para o esgotamento de todo o
elenco, nesta extenuante encenação diária. É
necessário entender o enredo, a trama, o sentido.

Mas chega, é tarde!... “E a vida é assim”!... E mesmo
não querendo te ferir, eu feri. Preciso, então,
colocar os meus fracassos pra dormir, juntar os
fragmentos, me recompor, mesmo consciente que a cada
dia algumas partes se perdem.

É uma espécie de decomposição, que leva à harmonia
esdrúxula da entropia que possibilita o
ciclo/surgimento da vida. Mas, pelo menos algumas
coisas nascem das minhas mortes diárias, e nascerá da
minha morte aparentemente definitiva.


Rascunhos que apontam para uma perfeição
futurista que tarda. Parece que somos o arremedo de
alguma coisa que um dia surgirá. “A vida é assim”!...
Por isso te feri.( Tento crer como remédio.)

"Me responde por favor
Pra que tudo começou
Quando tudo acaba"

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Meu Perfil
BRASIL, Nordeste, passa a maior parte do tempo na Lua, veraneia para além dos quasares, Mulher, feita do tecido d q são feitos os sonhos, extasiada com a vida.

 
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