
Incertas...
Não sei se me dói mais, de forma pequena,
A sua solidão ou a possibilidade da ausência dela
Paradoxo da dor que dói de forma aguda
Por me encontrar assim tão longe
Das duas dimensões do ser que sente...
Assumi o que me é próprio nesse instante
Eu, já em larga medida discrente,
Deixando a máscara descansar,
Enquanto olho no espelho as rugas...
Marcas que me lembram você,
Enquanto também as lágrimas rolam.
Tropeçando numa lâmpada fantástica
Me livraria do todas elas, as marcas
Te salvaria de me machucar daquele jeito
Salvaria nosso amor das pequenezas humanas
Te salvaria de mim, ao me fazer forte e grande.
Não sofreria tanto pelos toques na carne,
Entenderia que a tua alma não deixou de ser minha,
Nem mesmo quando ela não sabia o caminho...
Que você era só uma criança tateando a existência.
Mas parece que as coisas, que nem se definem,
De tão misteriosamente herméticas que são,
Encontram o gozo no sadismo de não serem assim...
Assim como se quer, como se precisa, assim como se deseja...
Apenas passam na contramão e, às vezes, param no caminho,
Enchem-nos de encanto, vendem-nos sonhos...
Partem.
Se partem.
Nos partem.
E nunca mais paramos de olhar pra trás...
Mesmo sabendo que o caminho está à nossa frente.

No tempo d´eu criança II
Antidança
De dança...
Sei conjugar o verbo
Professora entra na sala
Se mexam, abram o caderno
A aula é sobre dançar
Presente, passado, futuro
Bora, vamos conjugar
Eu danço, tu danças, ele dança
Nós vamos dançar
Dancei, dançastes, dançou
Nós todos dançamos
Sentados na cadeira
Curvados no caderno
Punho fechado na caneta
No verbo que não é ação
|
|
|||
|
|||
![]() | |||
|
|||