O conto se chama "Dois":

"Um cavalheiro de média cultura e hábitos decorosos
encontrou, após uma ausência de meses, devida a
eventos horrivelmente belicosos, a mulher que amava.
Não a beijou; mas, apartando-se em silêncio, vomitou
demoradamente. À mulher estupefata negou qualquer
explicação sobre aquele vômito; nem a deu a ninguém; e
somente com paciência ele chegou a compreender que
aquele vômito expulsava de seu corpo todas as inúmeras
imagens que da mulher amada nele havia se depositado
intoxicando amorosamente seu corpo. Naquele instante
porém, ele compreendeu como já não lhe seria mais
possível tratar aquela mulher como se entre eles
houvesse se passado somente amor, um amor macio,
ansioso apenas por superar cada obstáculo e por tocar
para sempre a epiderme do outro; ele havia
experimentado a toxidade do amor, e tinha compreendido
que a toxidade da distância nada mais era que
alternativa à toxidade do íntimo, e que havia vomitado
o passado para dar lugar ao vômito do futuro. Embora
lhe fosse impossível explicá-lo a quem quer que fosse,
ele sabia que justamente o vômito, e não os suspiros,
era o sintoma de um amor necessário como a morte é o
único sintoma certo da vida."

http://www2.uol.com.br/percurso/main/pcs25/cintilacoesmultiplas.htm

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Meu Perfil
BRASIL, Nordeste, passa a maior parte do tempo na Lua, veraneia para além dos quasares, Mulher, feita do tecido d q são feitos os sonhos, extasiada com a vida.

 
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